segunda-feira, 30 de março de 2015

Especial Novelas: O Cravo e a Rosa (2000)


Adriana Esteves e Eduardo Moscovis
Comédia romântica inspirada no clássico A Megera Domada, de William Shakespeare, a novela é ambientada na São Paulo dos anos 1920 e narra o tumultuado romance entre o rude caipira Petruchio (Eduardo Moscovis) e a geniosa Catarina (Adriana Esteves), moça com ideias feministas, filha mais velha do banqueiro Nicanor Batista (Luís Melo). Julião Petruchio é dono da fazenda Santa Clara, onde fabrica queijos para vender na cidade. Ele herdou a propriedade do pai em condições precárias, e luta para mantê-la funcionando, apesar de seu trabalho duro mal dar para saldar suas dívidas. Já nos primeiros capítulos da novela, ele pede um empréstimo ao tio, Cornélio Valente (Ney Latorraca). 

Luis Mello
Na fazenda de Petruchio também vivem Calixto (Pedro Paulo Rangel), antigo criado da casa, que é como um pai para o fazendeiro, o que não impede que seja chamado de “asno” durante os acessos de fúria do patrão; Neca (Ana Lúcia Torre), uma criada esforçada, sempre às turras com Calixto; e Lindinha (Vanessa Gerbelli), sobrinha de Calixto, moça bonita e sem estudo, criada desde pequena na fazenda. Ela é apaixonada por Petruchio, que a trata como irmã. Para conquistá-lo, Lindinha é capaz de qualquer golpe baixo. A jovem é o amor da vida de Januário (Taumaturgo Ferreira), um caipira ingênuo e de bom caráter, cuja única companhia é uma porquinha de estimação a quem ele trata como filha. Lindinha o humilha sempre que possível. 

Drica Moraes
Catarina, por sua vez, é uma jovem muito temperamental, conhecida por botar todos os pretendentes para correr, a ponto de ganhar dos rapazes o apelido de “Fera”. Rica, bem-educada e afinada com a causa do feminismo que começa a ganhar repercussão na sociedade paulistana, ela está convencida de que homem nenhum presta, e diz que nunca se casará. É virgem como as amigas feministas Lourdes (Carla Daniel) e Bárbara (Virginia Cavendish). Quem mais sofre com a atitude de Catarina é sua irmã mais nova, Bianca (Leandra Leal), moça meiga e romântica que sonha em encontrar um grande amor. Para seu azar, Batista, seu pai, é um conservador que só consente que ela se case depois que a filha mais velha o faça. O banqueiro arranja inúmeros pretendentes para Catarina, mas ela despreza todos. Um deles é o jornalista Serafim (João Vitti).

O que parecia impossível começa a se desenhar quando a mulher de Cornélio, a dissimulada e ambiciosa Dinorá (Maria Padilha), decide pôr as mãos no dinheiro do banqueiro Batista arranjando um casamento entre a doce Bianca e seu irmão, Heitor (Rodrigo Faro). O rapaz é um esportista bon vivant e mau-caráter que, assim como a irmã e a avó Josefa (Eva Todor), vive às custas do cunhado Cornélio. Para concretizar seu plano, Dinorá entrega a dívida de Petruchio com Cornélio ao agiota Normando Castor (Cláudio Corrêa e Castro). Quando o agiota cobra a dívida e exige a fazenda como pagamento, Dinorá sugere ao fazendeiro que seduza Catarina, case com ela e depois use o dinheiro da esposa para pagar a dívida.

Desesperado, Petruchio aceita a sugestão de Dinorá e começa a fazer a corte a Catarina, fingindo-se de submisso e pateta, e deixando que ela o manipule à vontade. Após muita resistência e alguns embates, Catarina aceita se casar com ele para se livrar da pressão do pai e ajudar a irmã. A vida de casados, porém, é um inferno, já que os dois são extremamente geniosos. Catarina tem frequentes crises de cólera, durante as quais atira na cabeça de Petruchio tudo o que encontra. Com o tempo, ela começa a perceber as qualidades do marido e se apaixona por ele. Petruchio também se apaixona, mas nenhum dos dois dá o braço a torcer. 

Ney Latorraca e Eva Todor
Mesmo depois de casado, Petruchio não consegue resgatar a dívida com o agiota porque Joaquim de Almeida Leal (Carlos Vereza) se adianta a ele. Fazendeiro poderoso, ele tem ódio de Petruchio, a quem considera culpado pela perdição de Muriel (Drica Moraes), sua única filha. No passado, ela se apaixonou pelo fabricante de queijos, mas foi rejeitada e sofreu muito. O pai a enviou para estudar na Suíça, onde ela se perdeu e seguiu uma vida dissoluta. Como vingança, Joaquim passa a pressionar Petruchio para que ele lhe entregue a fazenda. A novela toma outro rumo com a volta da filha de Joaquim, Muriel, que agora atende pelo nome de Marcela. Ela chega da Europa acompanhada pelo fiel escudeiro Ezequiel (Déo Garcez), disposta a conquistar Petruchio. Quando fica sabendo do seu casamento com Catarina, Marcela seduz Batista por interesse, e o usa para destruir a vida da rival. 

Mesmo com várias armadilhas armadas por Marcela e Lindinha (que fazem tudo para separá-los), com as ameaças de Joaquim e com as inúmeras brigas ocasionadas pelos seus temperamentos explosivos, Petruchio e Catarina finalmente se entendem e admitem que se amam. Catarina descobre que está grávida, e os dois ficam ainda mais felizes. A má notícia do casamento de Batista com Marcela parece trazer uma vantagem para o casal: o banqueiro pretende entregar à filha várias apólices do seu banco, o que a tornará rica e a ajudará a melhorar sua vida com Petruchio. As apólices, entretanto, desaparecem misteriosamente do cofre do pai durante a festa do casamento. 

Carlos Vereza
Pouco tempo depois, Batista descobre o verdadeiro caráter de Marcela e a abandona para viver com Joana (Tássia Camargo), uma lavadeira humilde, dona de uma pensão e sua amante há mais de dez anos, mas que só agora ele descobre ser o amor de sua vida. Marcela, porém, recusa-se a ceder o divórcio ao banqueiro. A vilã também consegue roubar as promissórias da dívida de Petruchio e ameaça tomar a fazenda dele. Petruchio desconfia que ela é a responsável pelo roubo das apólices e, para desmascará-la, finge ceder a sua sedução, abandonando Catarina. A verdade sobre o roubo das apólices só aparece no capítulo final. Petruchio reúne todos os que estavam presentes no dia do crime e pressiona-os até chegar à verdade. Marcela confessa que tentou roubar as apólices, mas não as encontrou. 

Rodrigo Faro
Heitor também admite ter tentado, em vão. Finalmente é revelado que o envelope com as apólices foi recolhido por dona Mimosa (Suely Franco), a empregada de Batista, que viu Marcela vasculhando o escritório do banqueiro e, desconfiada, escondeu o volume no seu álbum de fotografias. Ela planejava contar tudo a Catarina, mas foi descoberta por Lindinha, que passou a chantageá-la. Como sempre teve medo do temperamento vulcânico de Catarina, a empregada se calou e passou a dar dinheiro para comprar o silêncio de Lindinha. Enquanto isso, o álbum e as apólices estavam nas mãos do menino Buscapé (Luís Antônio Nascimento), que o roubara para achar uma foto dos seus pais, antigos empregados dos Batistas. Esclarecido o mistério, o álbum é devolvido, Catarina recupera as apólices e volta às boas com Petruchio. 

Para não ter de responder processo por tentativa de roubo, Marcela negocia com Batista a retirada da queixa em troca da concessão do divórcio ao banqueiro. Batista ainda paga a dívida de Petruchio e recupera as promissórias que estavam em poder dela que, dessa forma, não tem mais como chantagear o fazendeiro. O dinheiro obtido pelo pagamento da dívida vai direto para as mãos do gerente do hotel onde Marcela estava vivendo, há semanas, sem pagar as contas. Pobre e abandonada, a filha de Joaquim termina a novela unindo forças com Heitor. Os dois passam a formar uma dupla de vigaristas que fingem ser irmãos para tomar dinheiro de desavisados em jogos de pôquer. Catarina dá à luz um casal de gêmeos. Felizes, ela e Petruchio fazem prosperar os negócios da fazenda Santa Clara. Depois do beijo dos dois na cena final, uma animação computadorizada mostra um casal de beija-flores que sobrevoa a fazenda carregando um camafeu dourado idêntico ao da abertura da novela. Eles o abrem em pleno ar e revelam as fotos do casal protagonista. 

Tramas Paralelas

Pedro Paulo Rangel e Suely Franco
Núcleo Caipira:
Calixto (Pedro Paulo Rangel) se casa com dona Mimosa (Suely Franco), a empregada que criou Catarina (Adriana Esteves) e Bianca (Leandra Leal) desde a morte da mãe delas, e que continua trabalhando para Catarina depois do casamento dela com Petruchio (Eduardo Moscovis). 
Januário (Taumaturgo Ferreira), por sua vez, continua fazendo a corte a Lindinha (Vanessa Gerbelli) e sendo esnobado por ela, mesmo depois de a jovem ser escorraçada de casa por Calixto, após descobrirem suas maldades para separar Petruchio e Catarina. Mas a sorte do rapaz muda quando o rico Joaquim (Carlos Vereza) descobre que ele é seu filho, fruto de uma aventura no passado. Pouco depois, o fazendeiro morre e deixa todas as suas posses para o porquinho de estimação de Januário. Marcela (Drica Moraes), que não reconhece o caipira como irmão, astutamente compra o porco dele antes que ele possa reivindicar o dinheiro.

Amor secreto:
Leandra Leal e Ângelo Antônio
Com Catarina (Adriana Esteves) casada com Petruchio (Eduardo Moscovis), Dinorá (Maria Padilha) dá prosseguimento ao seu plano de aproximar o irmão, Heitor (Rodrigo Faro), da sensível Bianca (Leandra Leal). O pilantra conquista o coração da jovem com poemas românticos, que ela ignora serem escritos pelo professor Edmundo (Ângelo Antônio). Este é um intelectual que dá aulas de poesia para a moça, é apaixonado por ela, mas não tem coragem de se declarar por causa de sua origem pobre. Edmundo retrata seus próprios sentimentos nos poemas, mas sofre por não poder colher os louros da façanha. Ao longo da história, Bianca descobre que ele é seu verdadeiro amor, e que Heitor estava apenas interessado em seu dinheiro. Com a ajuda de Cornélio (Ney Latorraca), o professor finalmente se declara e conquista a amada. Os dois se casam no final da novela. 

Curiosidades:

Taumaturgo Ferreira
O Cravo e a Rosa  marcou a estreia na TV Globo do autor Walcyr Carrasco, que depois viria a escrever outras tramas de sucesso, como Chocolate com Pimenta (2003), Alma Gêmea (2005) e Caras & Bocas (2009), entre outras novelas.

A novela  marcou o retorno à TV Globo do diretor Walter Avancini, depois de um longo afastamento. Apesar do viés de comédia do texto, ele optou por imprimir um tom realista à direção. Eduardo Moscovis lembrou que Avancini pedia ao elenco que evitasse a caricatura e não se esforçasse para fazer comédia, deixando que o texto fizesse o trabalho por si próprio. 

Eduardo Moscovis contou que estava receoso em aceitar o papel de Petruchio porque achava que o personagem, rude e machista, poderia ficar muito parecido com seu último trabalho na televisão, o taxista Carlão de Pecado Capital (1998), remake de Gloria Perez da novela homônima de Janete Clair. Uma rápida conversa com Walter Avancini, que explicou o caráter cômico da trama, o fez mudar de ideia. Petruchio é um de seus personagens mais lembrados pelo público.

Além de A Megera Domada, de Shakespeare, O Cravo e a Rosa  trazia referências à telenovela O Machão, escrita em 1965 por Ivani Ribeiro para a TV Excelsior e readaptada em 1974 por Sérgio Jockyman para a TV Tupi.

Eva Todor, Ney Latorraca e Maria Padilha
Walcyr Carrasco conta que se inspirou na peça Cyrano de Bergerac, escrita em 1897 pelo francês Edmond Rostand, para caracterizar o triângulo amoroso formado por Edmundo (Ângelo Antônio), Bianca (Leandra Leal) e Heitor (Rodrigo Faro). 

O Cravo e a Rosa foi o último trabalho de Ney Latorraca com o diretor Walter Avancini, com quem ele já havia feito trabalhos memoráveis como as minisséries Rabo de Saia (1984), Anarquistas, Graças a Deus (1984) e Memórias de um Gigolô (1986).

A novela também foi marcante para Pedro Paulo Rangel por, entre outros motivos, ter sido a última vez que trabalhou com Walter Avancini. O ator contou que o diretor já estava fragilizado fisicamente, mas continuava a dirigir com a mesma postura crítica e exigente. Para interpretar o personagem Calixto, Pedro Paulo aprendeu a ordenhar vaca.

Tássia Camargo
Nas primeiras semanas da novela, o diretor Walter Avancini inseriu nas cenas pequenas aparições de figuras ilustres da época, vividas por atores figurantes. Dessa forma, foram homenageados em O Cravo e a Rosa  personagens como a artista plástica Tarsila do Amaral, a cantora lírica Bidu Sayão, o poeta Oswald de Andrade e o escritor Monteiro Lobato, este ao lado da esposa, Maria Pureza, a dona Purezinha.

A novela  foi vendida para países como Canadá, Letônia, Peru e Portugal. A partir de janeiro de 2003, foi reapresentada no Vale a Pena ver de Novo, atingindo índices de audiência surpreendentes para o horário.

Elenco:
Adriana Esteves - Catarina
Eduardo Moscovis – Julião Petruchio
Drica Moraes – Marcela
Luis Mello – Nicanor Batista
Leandra Leal – Bianca
Ângelo Antônio – Edmundo
Maria Padilha – Dinorá
Ney Latorraca – Cornélio
Pedro Paulo Rangel – Calixto
Sueli Franco - Mimosa
Carlos Vereza – Joaquim
Eva Todor – Josefa
Taumaturgo Ferreira – Januário
Vanessa Gerbelli – Lindinha
Rodrigo Faro – Heitor
Tássia Camargo – Joana
Cláudio Corrêa e Castro – Normando Castor
João Vitti – Serafim
Ana Lucia Torre - Neca
Murilo Rosa – Celso
Carla Daniel – Lourdes
Carlos Evelyn – Fábio (Mudinho)
Virgínia Cavendish – Bárbara
Luiz Antônio – Buscapé
Bia Nunnes – Dalva
Miriam Freeland – Candoca
Rejane Arruda – Kiki
Júlio Levy – Cosme
Bernadeth Lyzio – Berenice
Déo Garcez – Exequiel
Matheus Petinatti – Teodoro
Lúcia Alves – Dra. Hildegard
Isaac Bardavid – Felisberto
Nizo Neto – François
Alexandre Barilari - Manoel


Trilha Sonora
01. Jura - Zeca Pagodinho
02. Olha o que o Amor Me Faz - Sandy & Junior
03. O Cravo e a Rosa - Jair Rodrigues
04. Nada Sério - Joanna
05. Tristeza do Jeca - Sérgio Reis
06. Mississippi Raq - Claude Bolling
07. Quem Toma Conta de Mim (Someone To Watch Over Me) - Paula Toller
08. Lua Branca - Verônica Sabino
09. Odeon - Sérgio Saraceni
10. Coquette - Guy Lombardo
11. Tua Boca - Belo
12. Tea For Two - Ella Fitzgerald & Count Basie
13. Rain - Sérgio Saraceni
14. On The Mississippi - Claude Bolling

Abertura

Beijo entre Catarina e Petruchio

Chamada de Elenco

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